Menos Dose Na Autodoação

Olá, incrível mulher! Que os bons ventos tenham a trazido até aqui da melhor forma possível.

Me diga, destemida, como têm sido as suas relações? Como tem sido a sua doação para as pessoas e como você tem se limitado delas também? Que tipo de pessoa você é? Daquelas que dá muita importância, que se perde por dentro em busca de não perder o amor, a consideração ou a comunicação com os outros? Porque nos dias de hoje, tem parecido que temos que ser sempre muito empáticos e forçadamente compreensivos. Parece que temos a tarefa de ser completamente ativos nas vidas alheias, e isso nos torna, de certa forma, passivos em nossa própria vida e gera um pouco aquela sensação de que, se resolvermos cortar responsabilidades acrescidas na vida ou no contato com os outros, estamos sendo descuidados ou pouco humanos. Então, começamos a gerar uma sensação de culpa, autoquestionamentos e cobranças.
A verdade é que todas as pessoas são importantes, mas nós mesmos fazemos parte desse conjunto de pessoas, e nós devemos nos salvaguardar. Manter contato interpessoal é necessário. Afinal de contas, foi para isso que fomos todos feitos. Assenta sobre essa base o nosso modo de vida saudável. Mas quando falamos sobre modo de vida saudável, todos nós precisamos entender que só existe saúde onde há cuidado, seleção, respeito e escolhas. E essas escolhas só podem ser mantidas se percebemos a hora certa para investir e a hora exata para cortar laços, sejam eles com quem for e como decidirmos fazer.
Não desista facilmente das pessoas, mas leve em conta que nenhuma relação vale a pena quando a insistência é unilateral, quando a insistência for dolorosa, quando corroer e perceber que tem mexido com a sua essência existencial, a sua saúde mental. Não persista se, por algum momento, perceber que, motivado por essa insistência, tem a impressão de que tem desistido um pouco de si a cada dia.
Seja tudo aquilo que você gostaria que os outros fossem para você. Cumpra todas as suas metas sem precisar de incentivo de ninguém. Priorize a si mesma antes de compartilhar até o que não deve com os outros. Você nasceu completa e tem capacidade de exercer tudo aquilo que desejar, pois as pessoas não devem servir para lhe completar. Isso você já é. O papel das pessoas em nossa vida sempre deve ser agregar, para colocar aquela pitada de sal a gosto que todos nós precisamos na refeição. Exatamente! Pense na vida como uma bela refeição, a sua refeição preferida, se for mais fácil assim. Para que você a coma, ela precisa estar devidamente confeccionada. Com certeza, existem ingredientes dos quais você não abre mão e aquele gosto secreto que só você ou você mesma sabe qual é. Você consegue perceber a diferença disso?
A grande diferença é que você, por si só, já identificou os sabores. Você definiu quais deles são melhores para confeccionar a sua comida. Não que eles não sejam todos completos e saborosos, mas a junção de todos os ingredientes torna a refeição perfeita. Então, perceba da mesma forma a sua própria vida. Você é completa e repleta de particularidades que a tornam única e aprazível, mas você precisa de uma comunhão de companhias que a tornem mais convidativa, agregada e interessante. Percebe?
No caso de você ser uma pessoa bastante desapegada, daquelas que existe no mundo, mas o mundo não existe para você, que só existe e não se relaciona nem com as pessoas nem com o efeito das ações das pessoas no mundo, você precisa saber que o mundo arranjará formas de lhe mostrar, em determinado momento, que juntos fazemos melhor do que segregados. Nesse caso, perceba que tudo é uma questão de equilíbrio.
Não seja a bolha impenetrável, mas também não seja uma tigela sem tampa. Seja, no seu normal, a peneira que define as suas companhias. E sempre que sentir necessidade, seja uma daquelas marmitas que as mães usam para proteger a comida dos seus filhos: fechada a sete chaves e capaz de conservar a comida onde quer que ela esteja.
Pois o compromisso com a sua estabilidade emocional é tão importante quanto o compromisso com aquilo que transmitimos para o mundo. E assim, devemos saber que, se não cuidarmos de nós mesmos, não existe possibilidade de conseguirmos cuidar das pessoas ao nosso redor. Pois só gera amor aquele que percebeu a importância da manutenção desse amor.
E mais uma vez me despeço de vocês na certeza de que hoje saímos daqui 1% mais instruídos e capazes do que antes.
Por: Etaniela da Silva ( https://www.instagram.com/conselhos_de_uma_taurina/)




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